quinta-feira, 11 de março de 2010

Projeto de Leitura e Produção Textual

PROGRAMA GESTÃO DA APRENDIZAGEM ESCOLAR
GESTAR II
FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES DOS ANOS/SÉRIES DO
ENSINO FUNDAMENTAL- LÍNGUA PORTUGUESA

ROSA NIUDES ARAÚJO DE SOUSA
MARIA DE FÁTIMA CERQUEIRA LIMA PEREIRA


LEITURA E PRODUÇÃO TEXTUAL











Paulo Ramos- MA
2010
ROSA NIUDES ARAÚJO DE SOUSA
MARIA DE FÁTIMA CERQUEIRA LIMA PEREIRA





LEITURA E PRODUÇÃO TEXTUAL













Paulo Ramos- MA
2010
1. Problema:
Qual a importância da leitura e da escrita no desenvolvimento de habilidades e na promoção a interação social?

2. Objetivos:

2.1 Objetivo Geral:
• Estimular o prazer pela leitura, considerando a interdisciplinaridade e a atuação de toda a escola nesse processo.

2.2 Objetivos Específicos:

• Ampliar o repertório de histórias conhecidas;
• Familiarizar-se com as histórias;
• Relacionar textos e ilustração, manifestando sentimentos, experiências, idéias e opiniões, definindo preferência e construindo critérios próprios para selecionar o que vão ler.
• Vivenciar situações de leitura compartilhada e uso do cantinho de leitura da classe;
• Interpretar histórias lidas;
• Escrever e reescrever histórias;
• Refletir sobre os elementos de escrita utilizados nas produções escritas (com apoio do professor);

3. Justificativa:

A leitura e a escrita são hoje um dos maiores desafios das escolas, visto que quando estimulada de forma criativa, possibilita a redescoberta do prazer de ler, a utilização da escrita em contextos sociais e a inserção da criança e o adolescente no mundo letrado.
Com uma proposta de trabalho interdisciplinar com as literaturas infantil e infanto – juvenil e para jovens, o projeto busca reunir escola e comunidade local em atividades de pesquisa e informações que contribuam para o resgate da história da comunidade, tornando o aluno a mola mestra do processo ensino aprendizagem.

4. Fundamentação Teórica:

Num processo dinâmico, os Parâmetros Curriculares Nacionais na modalidade Língua Portuguesa (2001) coloca a questão do ler e do escrever em estreita relação com a participação social, pois é por meio dela que o cidadão se torna capaz de agir, ter acesso a todas as informações e acima de tudo, saber fazer uso social da linguagem. Nessa perspectiva, o sistema educacional deve colocar em prática a concepção de que o aluno é o sujeito da ação de aprender, cabe a ela possibilitar que o educando tenha acesso a vários textos que circulam socialmente, ensinando-os refletir criticamente, respondendo as exigências da prática cotidiana. Desta forma, o PCN de Língua Portuguesa (2001, p. 30) afirma que:
Toda educação verdadeiramente comprometida com o exercício da cidadania precisa criar condições para o desenvolvimento da capacidade de uso eficaz da linguagem que satisfaça necessidades pessoais - que podem estar relacionadas às ações efetivas do cotidiano, à transmissão e busca de informação, ao exercício da reflexão.

Ao refletir sobre a necessidade de se trabalhar com vários tipos de textos em sala de aula, devemos levar em consideração de que estes se referem aos discursos que são manifestados pelo sistema lingüístico, podendo ser oral ou de forma escrita. Segundo os PCN de Língua Portuguesa (2001) os textos se formam a partir da coesão e da coerência, pois estes possibilitam ser compreendido de forma global, deixando de ser apenas um amontoado de palavras. Os Parâmetros Curriculares (2001) sustentam que todo texto se organiza em um determinado gênero, e os conceitua da seguinte forma:
Os vários gêneros existentes, por sua vez, constituem formas relativamente estáveis de enunciados, disponíveis na cultura, caracterizados por três elementos: conteúdo temático, estilo e construção composicional. Pode-se ainda afirmar que a noção de gênero refere-se a ‘famílias’ de textos que compartilham algumas características comuns, embora heterogêneas, como visão geral de ação à qual o texto se articula, tipo de suporte comunicativo, extensão, grau de literariedade, por exemplo, existindo em número quase ilimitado.

Nesse contexto, Cagliari (1998) salienta que é muito mais fácil trabalhar com textos do que com palavras e frases soltas, que não trazem para a criança nenhum significado. Muitas vezes o professor está preocupado apenas com o resultado final da produção de texto dos alunos. Nesse sentido, pode-se afirmar amparada em Cagliari (1998), que no âmbito escolar os textos devem ser trabalhados de modo amplo, que satisfaça as necessidades dos alunos e a partir deste, trabalhar com as questões ortográficas, gramaticais e organização textual. Cagliari (1998, p. 203) afirma ainda a respeito do texto que:

Uma criança pode lidar bem com seus textos orais na alfabetização, quer falando quer escrevendo. A partir deles, pode aprender como a linguagem funciona comparar sua fala com outros tipos de texto, de estilos diferentes, e ir aprendendo a produção de textos orais e escritos dentro das expectativas da escola.

Tratando-se da leitura escrita, podemos considerar que ler não se restringe apenas em passar os olhos sobre o texto, ou então oralizar a palavra escrita, mas de acordo com Foucamber (1994, p.5) “ler significa ser questionado pelo mundo e por si mesmo, significa poder ter acesso a essa escrita, significa construir uma resposta que integra parte das novas informações ao que já se é”. Magda Soares (2003) considera que não basta apenas saber ler e escrever é preciso também saber fazer uso do ler e escrever, saber responder às exigências da leitura e da escrita que a sociedade faz continuamente e, quem exerce isso é considerado um letrado. Barbosa (1994) define uma concepção de leitura mais contemporânea, onde leitura se estabelece como um ato de atribuição de significados a um texto escrito, através da relação entre leitor e texto.
Nesse sentido, faz-se necessário conceituarmos a leitura e escrita no contexto educacional. Para Leite (2003) escrever é um ato da natureza conceitual, portanto há interpretação ativa do sujeito e não se delineia na mera cópia de conteúdos. Para Vygotsky apud Leite, a língua que se escreve e que se lê não é apenas decodificação de símbolos. É a relação sócio-cultural em o que está escrito e o que pode se compreender do texto. Dessa forma Leite, (2003, p. 200) afirma que:
A leitura permite sondar e identificar ativamente o que está representado nos sinais gráficos, nas palavras e frases; através da escrita, aprende-se registrar externamente a representação mental que se tem. De outro, Vygotsky e Luria permite-nos a compreensão de que a língua que se escreve e que se lê não é apenas um sistema de signos que contêm significações em si mesmas.

Ler e escrever são essenciais para compreender os direitos e deveres do sujeito cidadão. Somos sujeitos históricos e como tal temos de atuar na sociedade transformando-a conforme as necessidades para o bem da população e não somente para alguns, porque caso contrário, pessoas inocentes pagam um alto preço pelos erros cometido pelos outros (como por exemplo, o analfabetismo que abrange as classes dominadas, enquanto os dominantes estão sendo alfabetizados em escolas públicas ou particulares).

Normalmente quando pensamos em leitura primeiramente vem a nossa mente a leitura de um livro. No entanto, podemos perceber que a leitura vai muito além da escrita (decodificação de símbolos), pois nos encontramos lendo a todos os momentos, como: teatro, pintura, objetos, dança, a leitura do espaço e até, mesmo a leitura da mão. Para Martins (1994), começamos a ler desde o nosso primeiro contato com o mundo, a partir do cheiro de quem nos amamenta, do afeto que recebemos de nossos pais e as sensações boas ou desagradáveis que nos atinge. Dessa forma, a aprendizagem no âmbito escolar nunca começa do zero, pois temos uma pré-história ligada na convivência que a criança tenha vivido com o mundo físico e social que a rodeia. O primeiro passo para aprender a ler é através das pessoas que nos cercam, embora seja um ato solitário e que necessite apenas do intermédio do professor, sem necessitar de fórmulas, receitas ou etapas de aprendizagem, pois como Martins (1994, p.12) afirma: “ninguém ensina ninguém a ler, o aprendizado é em última instância
solitário, embora se desencadeie e se desenvolva na convivência com os outros e com o mundo”.

Nesse contexto, Pausas (2004) defendem que o papel do professor é de mediar o aluno na construção do conhecimento, respeitando sua fase de desenvolvimento, suas especificidades e além de tudo, que este meio proporcione a autonomia no processo de aprendizagem. Assim, o professor poderá utilizar-se das zonas de desenvolvimento proximal. Uma delas se chama distais que segundo Pausas (2004, p.21), [...] “não se estabelecem na interação direta, mas que se baseiam na forma como o professor estrutura e seleciona os recursos à altura da criança: organização, materiais” [...]. Ainda temos a intervenção proximal, que se trata das [...] “ajudas que se fazem na interação direta, tanto entre professor e aluno quanto entre aluno e aluno. Essas se dão mediante o oferecimento de modelos, o feedback, as diretrizes de ação, o planejamento de perguntas” [...] (Pausas 2004, p.22). Pausas também analisam o papel do aluno no processo de ensino e aprendizagem da leitura e da escrita, em que lhes atribui o direito de interagir na busca do aprendizado, compreendendo sua capacidade de refletir e buscar o significado do conhecimento disponível a sua volta, pois estes chegam à escola com amplos conhecimentos sobre a língua e seus aspectos e usos sociais, assim, precisam apenas torná-los convencionais, teoricamente.

Pausas (2004) abordam em sua concepção a relação entre leitura e escrita, em que ambas, no sistema educacional propiciam novos caminhos para a comunicação entre as crianças e seu meio social e cultural. Nesse processo, faz-se necessário um trabalho global, a fim de garantir o significado em meios culturais e sociais, distanciando-se da concepção de que a leitura e a escrita são conjuntos de símbolos que devem ser divididos em unidades menores para facilitar a aprendizagem, visto que, primeiro as conhece e num outro momento podem utilizá-las para comunicação ou para interpretar o meio ao seu redor.

Ferreiro e Teberosky (1999) relatam que o ensino fundamentado em métodos tradicionais torna-se muito distante da realidade do educando, pois se trabalha apenas com a decodificação e memorização de letras, e para a criança não é nada atraente passar quatro horas de seu dia decorando. Primeiramente, ensina-se a partir de letras para formar sílabas, ficando para mais tarde a formação de palavras com o intuito apenas de fixar as letras estudadas. Esse método chamado sintético surgiu nos anos de 1880 e se caracteriza pela escolha de palavras-chaves para se estudar uma determinada letra ou símbolo. Muitas vezes essa palavra não faz parte do vocabulário da criança, dificultando seu aprendizado. Antes de aprender a ler era preciso uma ação sobre o alfabeto, conhecer o alfabeto. O aluno começava soletrando em voz alta as letras do alfabeto. Depois ele conhecia a grafia da letra e, numa primeira síntese, apresentavam-se as sílabas em ordem. Nessa seqüência Leite (2003, p215) retrata que:

Essa posição requer que tomemos a leitura e a escrita numa dimensão mais ampla e conseqüente, que não é o da mera preocupação com o ensino de elementos não significativos da língua – sons, letras, sílabas ou palavras -,procedimentos que dificulta o acesso à significação. As atividades culturais são inseparáveis da formação do pensamento. Por isso, como dizia Vygotsky, “nem letras, nem palavra, mas ensinar a língua escrita”.

Feil (1987) afirma que o mais impressionável desse método é a negação da leitura enquanto comunicação utilizável para a criança, pois ela passa a compreender que a leitura é uma prática apenas escolar e a vê como “chata” e sem utilidade para a sua vida. Portanto, muitas vezes não gosta de ir à escola, sabendo que terá que seguir padrões ou modelos já prontos, assim fica excluído a possibilidade da construção do seu próprio conhecimento. Cavalcante (1997, p. 02) afirma que “tal forma desenvolve uma relação com esse aprendizado que identifica ler e escrever como práticas a da “tediosa seqüência de séries escolares das quais ficarão livres após alguns anos”.

Segundo Moll (1996) no início do século XIX, Viard na França, propõe o método da fonetização, ao invés de explorar o nome da sílaba, ensina o som das letras. Todos esses métodos partem de muitas semelhanças e as diferenças é que são pouco significativas. Nesse processo, considera que os alunos aprendem exatamente como os professores imaginam, o conhecimento é exterior ao indivíduo, está no objeto de conhecimento, no caso esta nas letras.
Cabe então ao professor a melhor forma de fazer seus alunos decorarem as letrinhas, isto é, conhecerem as palavras, pois eles partem do principio de que para ler e escrever basta conhecer as letras.

Moll (1996) relata que sob a influência de novas teorias de aprendizagem no final do século XIX é desenvolvido a proposta do método analítico, criticando os métodos sintéticos, que não valorizam a compreensão do que era lido. A justificativa baseava-se na afirmação de que antes de conhecer os pedaços das palavras, os alunos reconhecem a forma da palavra inteira. Nicolas Adam, um dos defensores desse método justifica sua proposta de que quando se quer não mostra separadamente a gola, depois as mangas, os bolsos, os botões de um casaco. O que se faz é mostrar um casaco inteiro e se diz: isto é um casaco! Por que não fazer o mesmo para uma criança aprender ler? Nessa perspectiva, os métodos analíticos propõem a análise do todo para se conhecer depois suas partes.

Gontijo (2003) aborda em sua obra a concepção vygotskiana e afirma que: [...] “é por meio da linguagem que medeia às relações entre as crianças e o mundo humano e as relações das crianças e as outras pessoas que as apropriações se efetivam, possibilitando que as crianças descubram progressivamente a significação social”[...]. Assim, a comunicação, de acordo com Gontijo (2003) é um elemento primordial no desenvolvimento psíquico educacional na criança, pois sua natureza psicológica constitui um conjunto de relações sociais, e este permeia na formação da personalidade de cada indivíduo, e neste processo, o sujeito não deixa de ser social.

Assim, a alfabetização não é simplesmente adquirir habilidades de ler e escrever, porque no mundo atual a escrita e a leitura é presença constante na vida da criança. O processo de compreensão do processo da leitura e da escrita começa antes de se chegar à escola e que vai se aperfeiçoando por toda a vida, onde as crianças constroem sistemas de idéias, formulam hipóteses a respeito do sistema de representação da linguagem, a alfabetização tem de ser um processo pelo qual o sujeito se apropria do sistema e não apenas reproduz.

5. Metodologia:

A primeira fase da pesquisa se dará por meio de pesquisa teórica para a fundamentação da proposta.
A metodologia que será usada para o desenvolvimento deste Projeto consistirá primeiramente em uma pesquisa teórica para a fundamentação da proposta, visando um diálogo com as idéias de autores que abordam essa temática. Sendo esta pesquisa de caráter qualitativo, estaremos primeiramente usando como fontes de pesquisa diárias de classe dos professores, planejamento diário e as propostas curriculares da escola a fim de compreender se a prática educativa do professor está de acordo com seus planejamentos e com a política escolar. Para atender aos objetivos propostos neste referido projeto, a entrevista com educadores para compreender as idéias que possuem a cerca da leitura e conseqüentemente da escrita. A partir dessa entrevista, buscaremos salientar qual formação nossos educando estão recebendo e como este reflete em sua atuação cidadã.


6. Cronograma:

Atividades NOV DEZ JAN
Escolha do
Tema
x
Levantamento
Bibliográfico
x
Elaboração
do Projeto
x
7. Equipe de trabalho:
5° séries do ensino fundamental da Unidade Integrada José Joaquim de Araújo e do Centro de Ensino Roberto Sarney.

8. Avaliação:


Ao avaliar, o professor deve comprometer-se com critérios claros, definidos e compartilhados com seus/suas alunos/as para tornar sua avaliação dialógica, ou seja, não só as expectativas de aprendizagem, mas também a qualidade do ensino deve ser avaliada.

Neste projeto utilizei como método avaliativo a observação direta da participação dos/as alunos/as e do interesse por eles/as demonstrado e a criticidade diante dos assuntos tratados, ao mesmo tempo em que observamos na prática educativa, isto é, se a metodologia trabalhada foi adequada e produtiva.
Nas produções textuais, considerei a criatividade em usar onomatopéias, rimas e formas, a oralidade e a desenvoltura, a clareza, a coerência e a expansão do vocabulário.
Ao promover o intercâmbio de textos, oportunizamos meus/inhas alunos/as analisar os textos alheios e sugerir algumas correções.


























REFERÊNCIAS

BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa. Brasília: MEC/SEF, 2001.

BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria da Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: língua portuguesa, primeiro e segundo ciclo. Brasília: 1997.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 34 ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996. (Coleção Leitura).

MOLL, Jaqueline. Alfabetização possível: reinventando o ensinar e o aprender. Porto Alegre: Mediação, 1996.

MUGRABI, Edivanda. A Pedagogia do Texto e o ensino-aprendizagem de línguas. Vitória: Instituto para o desenvolvimento e educação de adultos, 2002.

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